Descendo a lenha





Todos os dias, pontualmente ao romper da aurora, aquele homem seguia o seu trajeto de casa para o seu trabalho... Sempre alegre, simpático e irradiando humildade, cumprimentava e contagiava a todos que por ele passavam... Era um homem honesto, íntegro e de bem com a vida, e por isso, era admirado por todos daquele lugar. Sua profissão era lenhador, e nos fins de tarde, no arrebol do dia, voltava ele para casa, sempre com um feixe de lenhas em um de seus ombros, e com o seu fiel machado no outro...

Seu vizinho não se cansava de elogiá-lo, e todas as vezes em que o via passar em direção à mata, chamava sua mulher e apontando para o mesmo, dizia:

- Lá vai um homem digno, pontual e cumpridor das suas obrigações. Um exemplo de responsabilidade e de bom caráter. Um verdadeiro pai e chefe de família...

Todas as vezes em que ele voltava da lida, era a mesma coisa, seu vizinho tecia comentários louváveis para sua esposa, a respeito da disponibilidade de coragem e de determinação daquele exímio cortador de madeiras...

E a vida continuaria assim, cotidiana e rotineiramente, se não fosse por uma cruel desconfiança: o vizinho do lenhador resolveu faxinar o seu porão e descobriu que o seu machado (que era uma relíquia de família) havia sumido. Então ele presumiu que o tal lenhador havia lhe roubado.

No dia seguinte, ao amanhecer, quando o lenhador passou sorridente para o seu trabalho, aquele suspeitoso homem chamou sua mulher e apontando-o, disse:

- Lá vai um homem enganador, ladrão e hipócrita...

Sua companheira não entendeu nada, e quis saber o motivo pela qual ele havia mudado o seu discurso a respeito daquele homem. Ele então revelou o porquê da sua desconfiança e conseqüentemente, da sua grande decepção. Porém, a sua decepção foi ainda muito maior, e foi contra si mesmo, pois sua mulher lhe contou que o seu machado não havia sumido, ela apenas o havia mudado de lugar...

E no fim da tarde daquele mesmo dia, chamou de novo sua esposa e mostrando com o dedo o lenhador que passava, o elogiou bastante e então voltou a olhá-lo da maneira como ele realmente era...

"De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas cousas sejam assim. Acaso pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?" (Tiago 3:10,11)

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